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    Popular e de concerto: um milhão de melodias, arranjos e memórias de Radamés Gnattali nos 120 anos de seu nascimento

    Pedro Paulo Malta

    tocar fonogramas

    Alô, Radamés. Te ligo
    Aqui fala o Tom Jobim
    Vamos tomar um chope
    Te apanho na mesma esquina
    Já comprei o amendoim

    Assim terminava o poema em que Radamés Gnattali, num de seus últimos discos (1984), era homenageado por seu discípulo mais famoso. A gratidão de Tom não era sem razão: em seu início de carreira, no começo dos anos 1950, foi sob o olhar atento do veterano músico que escreveu seus arranjos iniciais na gravadora Continental – onde Radamés era diretor musical – e chegou a reger a orquestra da Rádio Nacional, em 1955. No entanto, por incrível que pareça, ser o maestro soberano de Tom Jobim é mais um predicado deste que foi um dos arranjadores centrais na história da música popular brasileira. Grande pianista de concerto e de salão. Diretor musical de programas das duas maiores emissoras do país: a Rádio Nacional e, depois, a TV Globo.

    Fora a obra de compositor, cujo ecletismo se desdobra em sinfonias, rapsódias, foxtrotes, sambas e choros. Há também algumas composições que aproximam os universos popular e de concerto, como, por exemplo, “Vaidosa”, a valsa ambientada no choro e com retoques clássicos que o próprio compositor gravou em 1955. Pois Radamés transitava naturalmente entre esses dois universos musicais desde a adolescência: em casa, alternava-se entre o violino – seu primeiro instrumento, ensinado por uma prima concertista – e o piano (que aprendeu com a mãe); na rua, atacava de violão (nas serestas) ou cavaquinho (nos blocos de carnaval). Aos 14 anos, já tinha abandonado a escola para ingressar no Conservatório de Porto Alegre, sua cidade natal.

    Nascido há 120 anos, no exato dia (27-01-1906) em que o mundo comemorava os 150 do nascimento de Mozart, Radamés foi o primogênito de um casal formado graças à música. Pois o italiano Alessandro Gnattali, um operário recém chegado de Verona ao Rio Grande do Sul, no finzinho do século 19, só conheceu a jovem Adélia depois que inventou de estudar piano e lhe indicaram Cesare Fossati, filho de um imigrante de Turim e irmão dela. Casaram-se em 1905 e batizaram os três filhos mais velhos inspirados em óperas de Giuseppe Verdi: Radamés era o nome do capitão egípcio de “Aída”, ópera mais conhecida de Verdi e nome da filha mais velha. Entre os dois estava “Ernani”, ópera anterior do compositor italiano. Já os dois irmãs caçulas de Radamés se chamavam Alexandre e Maria Terezinha, pois – segundo ele – “acabou o repertório”.

    Dos saraus e serenatas em família veio o desejo de se tornar concertista – impulso para Radamés dedicar-se cada vez mais ao piano e às aulas no Conservatório. A ponto de seu professor Guilherme Fontaínha indicá-lo para um concerto no Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro, onde teve atuação “triumphante!”, como avisou o mestre aos Gnattali, por telegrama, no dia seguinte àquele 31-07-1924. Mas a melhor recordação da primeira viagem ao Rio foi outra: Radamés quase não acreditou quando, andando pela Avenida Rio Branco, entrou na sala de espera do cinema Odeon para chegar perto daquele piano que se ouvia da calçada. Era o veterano Ernesto Nazareth, que o jovem pianista levaria como referência por toda a trajetória e de quem gravaria composições como o tango “Fon fon”.

    Dois momentos do jovem Radamés: o compenetrado concertista (1924) e a piscadinha para a sacada (1927) / Acervo de Radamés Gnattali (radamesgnattali.com.br)

    Mas só em 1931, depois da formatura no Conservatório, um prêmio conquistado (o Araújo Vianna) e outros tantos recitais, mudou-se de vez para a então capital do país. Já tinha estreado em disco, acompanhando ao piano o violinista russo Anselmo Zlatopolsky na interpretação de “Romance” (Artur Napoleão), de 1927, e não era mais inédito como compositor: seu “Canto de violino” fora gravado em fins de 1929 pela Orquestra Guanabara, tendo como solista Romeu Ghipsman, no violino. Esta composição, aliás, era dedicada a sua primeira companheira, a conterrânea Vera Bieri, também pianista, com quem Radamés se casaria e teria seus dois filhos, Alexandre e Roberta.  

    Mas só em outras criações desta leva inicial de sua obra, como a “Rapsódia brasileira”, estavam algumas marcas que serão constantes em sua trajetória, como a escrita sofisticada para piano e o uso de temas folclóricos. Considerada a primeira composição de fôlego de Radamés, é datada de 1930, embora só tenha sido lançada em disco em 1953, pelo próprio autor, acompanhado de orquestra. Já sua primeira composição de concerto gravada – outra com temas folclóricos – foi o “Quarteto nº 1”, lançada em 1940 num 78 rpm do Quarteto Carioca: Oscar e Alda Borgerth nos violinos, Edmundo Blois na viola e Iberê Gomes Grosso no violoncelo.

    Em paralelo à música de concerto, outras frentes foram fundamentais para o recém casado Radamés se sustentar, especialmente após constatar que o concurso para professor de piano do Instituto Nacional de Música – motivo principal de sua vinda para o Rio de Janeiro – jamais seria realizado. Em 1933, faz o primeiro de muitos trabalhos para cinema, compondo as músicas do filme “Ganga bruta” (Humberto Mauro), entre elas a valsa “Teus olhos, água parada”, mais uma dedicada a Vera Bieri.

    Outra solução – mais imediata – é a labuta na noite, como pianista em cafés e dancings cariocas, tocando um repertório bem distante das peças de concerto a que vinha se dedicando. Para embalar os pés-de-valsa nos salões, apresentava – em meio a foxtrotes estadunidenses, valsinhas europeias e tangos argentinos, entre outros gêneros musicais – choros de sua autoria, como os ótimos “Serenata do Juá” (1934), “Estilo da vila” (1935) e “Alma brasileira”, este último mais um composto por Radamés em 1930, embora só em 1939 tenha sido lançado em disco, pela Orquestra Odeon.

    Já no rádio, os primeiros trabalhos vieram em 1932, como pianista da orquestra da Rádio Clube do Brasil e, depois, na Mayrink Veiga, tocando nas múltiplas formações da emissora — jazz band, orquestras de tango e baile, piano e voz… Mas só em 1936 chegou à Rádio Nacional, a emissora em que atuou por décadas e não só como pianista multiuso, mas também como arranjador e diretor musical de diversos programas, entre eles o famoso “Um milhão de melodias”, criado em 1943 como parte da estratégia de lançamento da Coca-Cola no Brasil. Também lançou peças de sua autoria como a “Fantasia brasileira”, que a orquestra da emissora – conduzida por Simon Bountman – interpretou ao vivo em 1937.

    Radamés na Radio Nacional, em foto do acervo de Radamés Gnattali (radamesgnattali.com.br) 

    Esse mesmo 1937 é lembrado por outro marco importante em sua trajetória: o lançamento fonográfico da valsa “Lábios que beijei” (J. Cascata e Leonel Azevedo), grande sucesso de Orlando Silva em cujo arranjo – de Radamés – destacam-se as cordas e “uma flauta tiritando lá no alto”, como exulta o intérprete no filme “O Cantor das Multidões” (Oswaldo Caldeira, 1969). Arranjador da Victor (contratado desde 1932), Radamés contribuiu para outros sucessos de Orlando, entre eles um dos mais cantados no carnaval de 1939: “Meu consolo é você” (Roberto Martins e Nássara), este com uma consagração singela para o arranjador – o povão, ao entoar este samba, cantava um verso (à parte da letra) em cima do contracanto instrumental escrito por Radamés:

    Meu consolo é você...
    Meu grande amor!
    Eu explico por quê

    (Que tem iaiá nas cadeiras dela?)
    Sem você sofro muito
    Não posso viver...

    Entre as novidades dos arranjos que Radamés vinha fazendo para Orlando na gravadora Victor — onde estava contratado desde 1932 — a mais destacada era o naipe de sopros tocando as levadas e convenções rítmicas dos sambas, reforçando o ritmo que era marcado na bateria (por Luciano Perrone) e na percussão (por João da Baiana, Bide e cia.). Mas curiosamente foi num 78 rpm da rival Odeon — o 11.768 — que a bossa rítmica dos saxofones ficou mais conhecida: isso na gravação original de “Aquarela do Brasil” (Ary Barroso), na voz de Francisco Alves e no arranjo de Radamés que se desdobra pelos dois lados do disco. Pois é no lado A, precisamente a partir de 56 segundos, que se pode ouvir a bossa (“pan-pan-pan, pan-pan-pan…”) que virou um dos emblemas do famoso samba-exaltação.

    Ainda na Victor, outro marco importante na trajetória de Radamés foi a criação do Trio Carioca, conjunto que ele formou com Luís Americano (clarinete e sax) e Luciano Perrone (bateria), espelhando o trio que o clarinetista Benny Goodman formava com o pianista Teddy Wilson e o baterista Gene Krupa nos Estados Unidos. Com gravações primorosas como a do choro “Cabuloso” (1937), o grupo – criado por sugestão do estadunidense Mister Evans, diretor artístico da Victor – pode ser considerado o embrião de outros formados por Radamés, a começar pelo  Quarteto Continental, com Perrone, José Menezes (guitarra) e Pedro Vidal (contrabaixo). Entre os dez discos que lançaram (de 1948 a 56), fizeram acompanhamento de solistas e também gravaram composições de seu líder, entre elas o samba-canção pré-bossa-nova “Fim de tarde” (1949).

    Com este conjunto — depois transformado em quinteto (com a entrada de Chiquinho do Acordeom) e sexteto (com Aída Gnattali dobrando pianos com o irmão) — Radamés encontrou a base que o acompanharia em incontáveis trabalhos no futuro. Foi com eles que gravou, em 1949, sua própria interpretação de “Remexendo”, um de seus choros mais conhecidos, do início da década de 1940. Este choro, aliás, está no centro de uma das memórias de quando Radamés morou em Buenos Aires, em 1941, contratado para organizar uma orquestra local que tocasse música brasileira numa rádio local. Num trabalho paralelo, tocava seu piano na noite portenha e o dono da boate veio lhe pedir que não tocasse mais “Remexendo”, pois, sempre que ele tocava, o público, de tão entusiasmado, subia nas mesas para dançar, fazendo jus ao nome do choro.

    O maestro ao piano nos anos 1970, em foto de Wilton Montenegro / Acervo de Radamés Gnattali (radamesgnattali.com.br)

    Foi pouco depois dessa temporada argentina — oito meses no total — que Radamés ingressou na Continental, a gravadora em que mais trabalhou, contratado desde 1943 como arranjador e pianista. Por lá saíram arranjos marcantes de sua autoria, como o da primeira gravação de “Copacabana” (João de Barro e Alberto Ribeiro), em 1946, na voz de Dick Farney, e os sambas do já então falecido Noel Rosa gravados por Aracy de Almeida entre 1950 e 51, entre eles o inédito “Três apitos”. Já em “A voz do morro”, obra-prima de Zé Kéti lançada em 1955 por Jorge Goulart, o acompanhamento de Radamés é creditado a Vero (e Sua Orquestra), o pseudônimo — inspirado na companheira, Vera — que usou para fazer gravações de música popular (só em 78 rpm, foram ao todo 278, entre 1950 e 58).

    Outra participação decisiva de Radamés na Continental foi como arranjador e compositor na série de histórias infantis que a gravadora lançou em meados da década de 1940, com textos e letras de João de Barro (diretor da gravadora e idealizador da série) co-assinados por grandes maestros-arranjadores da música brasileira. Entre as historinhas musicadas por Radamés está, por exemplo, “Chapeuzinho Vermelho”, grande sucesso de 1946. Os lançamentos da série, depois rebatizada com o nome de “Coleção Disquinho”, permanecerão durante anos entre as maiores vendagens da gravadora.

    Ainda na Continental, onde Radamés continuou fazendo discos até a década de 1960, saiu também a primeira gravação de sua canção de maior sucesso: o samba “Amargura”, feito em parceria com Alberto Ribeiro – autor da letra – e lançado em 1950, por Lúcio Alves, com acompanhamento de Copinha e Sua Orquestra. Mais conhecido como co-autor de sucessos de João de Barro, Ribeiro é o letrista mais recorrente na diminuta obra cantada de Radamés Gnattali, com outras ótimas parcerias como “Mulata Risoleta”, samba de bossa lançado em 1945 por Nuno Roland.

    Já a década de 1960, marcada por tantas transformações na música brasileira, não foi diferente para Radamés Gnattali. Em 1963, trocou suas multitarefas no rádio — desligando-se da Nacional — pela televisão, dedicando-se primeiro à TV Excelsior e, depois, à Globo, onde permanece contratado de 1968 até o fim da vida, como pianista, regente e arranjador de programas musicais. Na vida pessoal não foi diferente: após a morte de Vera (1965), uniu-se à atriz e cantora (e depois médica) Nelly Martins, com quem grava o LP “Piano duo”, em 1968.

    E no meio disso tudo ainda teve, em 1964, o lançamento do LP com a primeira gravação de “Retratos”, a suíte que Radamés havia composto em 1956/57 dedicada a Jacob do Bandolim, com acompanhamento de conjunto regional e orquestra de cordas. Em cada um dos quatro movimentos da peça, o compositor presta homenagem a um chorão primordial: “Retrato de Pixinguinha” no 1º movimento, “Retrato de Ernesto Nazareth” no 2º, “Retrato de Anacleto de Medeiros” no 3º e “Retrato de Chiquinha Gonzaga” no 4º. Através destas homenagens, a peça evidencia o quanto este quarteto fantástico (e o choro, num sentido mais amplo) estão na base da música brasileira, como se pode perceber numa série em quatro episódios produzida pela coordenadora de música do Instituto Moreira Salles (IMS), Bia Paes Leme, para a Rádio Batuta em 2014.

    Radamés entre amigos: no alto à esquerda, com Tom Jobim (1984); ao lado, com Pixinguinha e Jacob do Bandolim (1968); embaixo, com a Camerata Carioca (1979); e ao lado com Elizeth Cardoso.  Fotos do acervo de Radamés Gnattali  (radamesgnattali.com.br)

    Pois quando o choro começou a retomar seu espaço na música brasileira, durante os anos 1970, Radamés viu-se rodeado dos jovens instrumentistas interessados no legado de Nazareth, Chiquinha, Pixinguinha e outros mestres da velha guarda. Entusiasmado com a nova geração, apadrinhou chorões imberbes como os que formaram a Camerata Carioca, em 1979, para um show em homenagem a Jacob do Bandolim, do qual participou com eles e o bandolinista Joel Nascimento.

    Do encontro resultaram discos como “Tributo a Jacob do Bandolim” (1980), “Vivaldi & Pixinguinha” (1982) e “Uma rosa para Pixinguinha” (1983), este último com Elizeth Cardoso. Lançamentos da etapa final de sua vasta discografia em long-playing, com destaque para o dez polegadas “Ernesto Nazareth” (Continental, 1954), “Ecos do Brasil” (Sinter, 1955), “Radamés interpreta Radamés” (Todamérica, 1958) e três intitulados com seu nome: um de 1976 (lançado pela Som Livre), outro de 1984 (o do poema de Tom Jobim, feito na gravadora Libertas) e o terceiro de 1985 (pela Funarte).

    Entre esses últimos discos, o veterano maestro recebeu prêmios como o Shell (1983) e foi homenageado com choros diversos, a exemplo do que Tia Amélia já havia feito em 1961, quando dedicou-lhe “Bom dia, Radamés Gnattali”. Em 1978, Paulinho da Viola fez “Sarau pra Radamés” e dele recebeu, em troca, “Obrigado, Paulinho”, em 1985. Nesse mesmo ano, Tom Jobim ofertou-lhe “Meu amigo Radamés” em retribuição a “Meu amigo Tom Jobim”, gravada pelo mestre em 1975.

    E aí veio 1986, o ano que deveria ser de festa pelos 80 de Radamés, mas acabou ficando em sua história com a lembrança dos dois acidentes vasculares cerebrais que o tiraram de cena: o primeiro sofrido no início do ano, antes mesmo de seu aniversário (27-01), quando aliás estava programado – e foi mantido – um grande concerto em sua homenagem, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Ele vinha se recuperando bem das sequelas, mas um segundo AVC, sofrido no fim do ano, reduziu praticamente a zero as chances de melhora, deixando acamado até seus últimos dias. Radamés Gnattali faleceu no dia 3 de fevereiro de 1988, aos 82 anos, no Hospital Prontocor da Lagoa.

    O corpo foi velado no saguão do Theatro Municipal do Rio de Janeiro durante a madrugada, sendo levado na manhã de 4 de fevereiro para o Cemitério São João Baptista, em Botafogo, onde foi sepultado, com a presença de muitos amigos músicos, como Edu Lobo, João Bosco, Hermínio Bello de Carvalho, Guerra Peixe e, claro, Tom Jobim. Henrique Cazes, então um jovem cavaquinista da Camerata Carioca, guarda na lembrança o momento da saída do cemitério e o pós-enterro num botequim. “Quando já estava perto do portão, o Tom andou mais depressa, levantou o chapéu e falou pra gente assim: ‘Olha, se o Radamés tivesse vindo no meu enterro, ele ia chamar vocês pra tomar um chope. Então agora vocês vêm comigo, que eu sou o Radamés.’”

    A fala de Henrique está em “Radamés Gnattali, artesão e operário da música”, um documentário em 12 episódios produzido pelo autor deste post (pesquisa, texto e apresentação) com Helena Aragão (pesquisa e texto) e Paulo Aragão (pesquisa, texto e direção musical) para a Rádio Batuta, do IMS. Além de Henrique, a série tem depoimentos exclusivos de Paulinho da Viola, Edino Krieger, Maurício Carrilho, Luciana Rabello, João Bosco, Dori Caymmi e Roberto Gnattali, entre outros amigos e discípulos do maestro. A série, produzida em 2022, pode ser ouvida aqui neste link.

    Na foto principal, paixões de Radamés: o piano e a gatinha Suzy / Acervo de Radamés Gnattali (radamesgnattali.com.br)

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