Um dos episódios mais tensos do Brasil na Segunda Guerra Mundial se deu antes mesmo da entrada do país no conflito. Foi em 11 de junho de 1940, quando Getúlio Vargas, num discurso a bordo do encouraçado Minas Gerais, anunciou “o limiar de uma nova era” a ser conduzida por “estados vigorosos, aptos à vida”, deixando para trás “a época dos liberalismos imprevidentes, das demagogias estéreis”. Houve quem entendesse que o presidente da República, à época comandando o país na ditadura do Estado Novo, estava prestes a declarar apoio aos ideais fascistas de Hitler e Mussolini. “De que lado da guerra entrará o Brasil?”, perguntava-se nos cafés, bondes, rodas de conversa e, sobretudo, nos jornais – com as atualizações diárias estampadas em manchetes e fotos dos conflitos.
O leitor que folheasse os impressos daqueles dias saberia também de outra notícia que vinha mobilizando o Rio de Janeiro daqueles meados de 1940: a visita de Carmen Miranda. Em julho, a cantora mais popular do Brasil viria pela primeira vez ao país desde maio de 1939, quando tinha partido de mala e cuia – e turbantes, sapatos-plataforma e vestidos extravagantes – para os Estados Unidos. O sucesso que vinha fazendo nos palcos da Broadway, em Nova York, e as perspectivas de fazer filmes em Hollywood estavam entre os temas a serem assuntados pelos cariocas (os da imprensa e os do meio artístico) com a “Brazilian Bombshell” (Granada Brasileira), como ela vinha sendo chamada pela crítica de lá.
Desta vinda ao Brasil, ficaria principalmente a lembrança do show que fez no Cassino da Urca, com recepção fria por parte da plateia e uma reação extremada de Carmen, que deixou o palco no meio da apresentação, atônita com a sisudez dos presentes. “Quem estava em todas as principais mesas da Urca, naquela noite, era o poder, oficial e civil, que nos últimos meses assumira uma nova cor política, ao sabor dos acontecimentos na Europa”, informa Ruy Castro no livro “Carmen – uma biografia” (Cia das Letras, 2005), nomeando generais, ministros e outros integrantes do Estado Novo que franziam o rosto para a Pequena Notável naquela noite de 15 de julho de 1940. “A Alemanha era agora a grande amiga, e os Estados Unidos, de repente, o potencial vilão.”
Mais felizes para Carmen foram as memórias que ficaram dos reencontros com amigos durante a passagem pelo Rio de Janeiro. Os compositores, por exemplo, iam em romaria a sua casa, na Avenida São Sebastião, na Urca, quase sempre com alguma nova marchinha ou samba para mostrar a ela. Joubert de Carvalho, Josué de Barros, Sinval Silva, Dorival Caymmi, Nássara, Haroldo Lobo... Braguinha e Alcir Pires Vermelho trouxeram o samba-exaltação “Onde o céu azul é mais azul”, ainda cheirando a tinta. Outro que apareceu foi o baiano Assis Valente, fornecedor de grandes sucessos de Carmen, como “Camisa listada”, “E o mundo não se acabou” e “Minha embaixada chegou”, entre outros. Desta vez, vinha animado com as composições que tinha feito para a amiga cantora.
Revista Pranóve, agosto de 1940 / Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
“Dos três sambas que tenho prontos para Carmen um é dedicado à Pranóve”, disse Assis à própria Pranóve, a revista da Rádio Mayrink Veiga que o visitou em “seu bonito apartamento na Rua Haddock Lobo”, na Tijuca, para uma matéria publicada em agosto de 1940. “Chama-se ‘Chegou a hora’. É meu grito de guerra, o elogio da música popular brasileira, o meu convite aos compositores patrícios para que nem por um minuto ensarilhem as armas e cuidem de continuar produzindo boas músicas”, conclamou o sambista baiano, que, logo em seguida, batucando na estante de livros, cantarolou os versos de sua composição, transcritos em primeiríssima mão no fim da matéria: “Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor / Eu fui à Penha e pedi à padroeira para me ajudar...”
E “Brasil pandeiro”, como este samba seria rebatizado dali a poucos meses, não era só mais uma composição ufanista como outras feitas no rastro de “Aquarela do Brasil” (Ary Barroso), lançada em 1939. Era bem-humorada, sagaz e feita sob medida para Carmen Miranda, cujo sucesso nos Estados Unidos era acompanhado de perto pela imprensa daqui desde maio de 1939, quando foi requebrar por lá – primeiro na Broadway, depois em Hollywood. Pois o “molho da baiana” que melhorou o prato do Tio Sam, como diz a letra, era de ninguém menos que a própria Carmen – portuguesa de nascimento, carioca de formação e soteropolitana no repertório (com destaque pros sambas de Caymmi e do próprio Assis Valente) e nos figurinos, fosse o dos shows no Cassino da Urca ou o de “Banana da terra” (1938), seu último e mais bem-sucedido filme brasileiro.
Já em 5 de março de 1940, Carmen foi recebida na Casa Branca, onde cantou a marchinha “Mamãe eu quero” (Jararaca e Vicente Paiva) durante um banquete oferecido por Franklin Roosevelt, o presidente estadunidense, que aplaudiu com entusiasmo. O episódio foi fartamente repercutido por aqui, inclusive no tal samba de Assis Valente, com o Tio Sam dançando “a batucada com ioiô e iaiá”. A revista Pranóve, na edição de agosto de 1940, informa que a música seria cantada pela Pequena Notável “na noite de seu reaparecimento” na Rádio Mayrink Veiga, como aliás noticiaram também O Imparcial (16-08-1940), A Batalha (na mesma data) e o Jornal dos Sports (17-08-1940).
Segundo o biógrafo de Assis Valente, Gonçalo Júnior (autor do livro “Quem samba tem alegria”, lançado em 2014 pela Ed. José Olympio), Carmen também teria cantado “Chegou a hora” na Rádio Nacional e no Cassino da Urca – diante da gelada plateia estado-novista. Mas gravar, que é bom, no fim das contas não gravou. “Carmen ficou desconfortável quando ouviu a música”, afirma Gonçalo, que em seguida reproduz um relato da filha única do compositor, Nara Nadyle, segundo a qual a cantora teria achado o samba deselegante com o povo estadunidense. “E, polidamente, explicou a Assis que não pretendia gravá-lo por causa disso. Ele insistiu que tinha sido escrito especialmente para ela, sem levar em conta suas justificativas.”
Segundo Ruy Castro, no livro “Carmen”, sua biografada não se sentiu à vontade para gravar aquele samba-exaltação – na verdade, uma “exaltação à sua pessoa” – que, no fim das contas, soaria como uma auto-homenagem. “A modéstia de Carmen não lhe permitiria ficar se gabando de seus feitos, e muito menos em música”, observou o jornalista-escritor, antes de refutar a hipótese (perpetuada em muitos livros de referência) de que sua biografada teria rejeitado não o samba, mas o próprio Assis Valente. “Até ali, em oito anos de colaboração, Carmen gravara 22 músicas de Assis. Ainda gravaria uma 23ª, a insuperável ‘Recenseamento’, dada a ela por Assis na mesma noite de setembro de 1940 em que ela dispensou ‘Brasil pandeiro’”, argumentou Ruy Castro, em sua coluna na Folha de S. Paulo (26-03-2011). “
Assis Valente e Carmen Miranda / O Cruzeiro (03-09-1955)
Mas Assis Valente sentiu o golpe, como deu a entender numa entrevista ao jornal A Noite (12-02-1941). “Não sou constante nos meios radiofônicos. Não tenho ambiente. Os porteiros das estações de rádio não me conhecem. De modo que, quando procuro um cantor de cartaz, não encontro vaga”, queixou-se, resignado sobre a distância de Carmen, já então de volta aos Estados Unidos. “A verdade é que não tenho medalhão para lançar as minhas composições. Heloísa Helena, gentilmente, interpretou o meu ‘Brasil pandeiro’ no filme ‘Céu azul’, mas meu nome nem aparece. E o samba saiu anônimo”, anotou o sambista, em referência à comédia musical co-produzida pela Sonofilms com Wallace Downey, em cartaz nos cinemas do Rio e de São Paulo desde 31-01-1941.
Mas nem tudo era desolação: “Brasil pandeiro”, já rebatizado com este nome, logo teria sua primeira gravação em disco, realizada em 26-02-1941, pelos Anjos do Inferno. O conjunto, criado em 1934, já era bastante popular desde o ano anterior, quando lançou seu primeiro sucesso, “Helena, Helena” (Antônio Almeida e Secundino), um dos sambas mais cantados no carnaval de 41. Quando gravou “Brasil pandeiro”, ainda não era um sexteto (como ficaria conhecido mais adiante), mas um quinteto: Leo Vilar (crooner e diretor musical) estava acompanhado de Harry Vasco de Almeida (na voz e no afoxé), Alberto Paz (voz e pandeiro), Felipe Brasil e Moacir Bittencourt (vozes e violões).
Lançado no 78 rpm Columbia 55.267, “Brasil pandeiro” foi o primeiro dos sucessos que os Anjos do Inferno gravaram em 1941 – com destaque para “Que bate fundo é esse”, de Bide e Marçal, e as caymmianas “Você já foi à Bahia” e “Requebre que eu dou um doce”. Nenhum deles, no entanto, teve mais repercussão que o samba de Assis Valente, como se leu em O Jornal (13-05-1941): “É o autor mais ouvido no momento, com o samba ‘Brasil pandeiro’, gravado com sucesso pelos Anjos do Inferno”, afirmou o impresso, em contraponto à notícia bombástica que trazia naquela edição: na véspera, o compositor havia tentado se matar, jogando-se do Corcovado. Felizmente, não alcançou seu objetivo, enganchado que ficou nas árvores da encosta.
“Conduzido para o posto de assistência, o quase suicida foi submetido a raios X, constatando-se que havia fraturado duas costelas, além de contusões e escoriações generalizadas”, noticiou O Jornal (13-05-1941). “Seu estado não é reputado grave, mas foi internado no Hospital de Pronto Socorro para tratamento.” No dia 19, Assis já deixava a internação para se recuperar, em casa, da “fratura de duas costelas e algumas contusões e escoriações” sofridas uma semana antes (Diário Carioca, 20-05-1941). E dali a onze dias, já estava “inteiramente restabelecido”, como se leu no Jornal dos Sports (30-05-1941), que anunciava para aquela noite, na Rádio Tupi, seu retorno aos microfones: “Esta audição do autor de ‘Brasil pandeiro’ está marcada para as 21h30.”
Os Anjos do Inferno na formação de 1946: no alto, Roberto Paciência, Léo Vilar e Walter Pinheiro; na linha do meio, Harry Vasco de Almeida e Aluísio (Lulu) Ferreira; embaixo, Russo do Pandeiro. A Cena Muda (28-05-1946)
É possível que a recusa de Carmen – a essa altura já de volta aos Estados Unidos, de onde só retornaria ao Brasil mais uma vez, na virada entre 1954/55, pouco antes de sua morte (05-08-1955) – estivesse entre as razões para o impulso do compositor baiano, mas o contexto, certamente, era mais complexo. “Assis jogou-se do Corcovado por suas tormentas pessoais”, afirma Ruy Castro, no mesmo texto (Folha de S. Paulo, 26-03-2011) em que reconhece que a relação entre o sambista e Carmen Miranda ia um tanto além da amizade. “A paixão entre eles era recíproca – e platônica (os dois tinham namorado).”
A imprensa da época se fartou de levantar hipóteses, como Gonçalo Jr. informa na biografia de Assis Valente. Em algumas matérias, no entanto, o próprio compositor falou, como numa d’O Globo (15-05-1941) que retratava uma visita que ele recebeu no hospital, dos colegas compositores Ary Barroso, Alberto Ribeiro e Roberto Martins. “Mas logo agora que está com o maior sucesso das rádios, Assis?”, disse-lhe o autor de “Aquarela do Brasil”, diante do desânimo completo do amigo. “Isso de compositor, Ary, não adianta mais e você sabe muito bem. As glórias não resgatam letras”, respondeu Assis Valente, fazendo uso de duplo sentido – letra, na época, era uma das maneiras pelas quais as pessoas chamavam as notas promissórias.
Ele ainda viu “Brasil pandeiro” dar nome a um programa diário na Rádio Guanabara e a um dos espetáculos mais concorridos da temporada (de 27 de junho a 7 de agosto) de 1941, com a plateia do Teatro João Caetano completamente apinhada para aplaudir Alda Garrido, Jararaca e Ratinho e grande elenco. E também emplacou outros grandes sucessos de sua obra, a começar pelo já citado “Recenseamento”, que Carmen Miranda gravou no fim de 1941. Já no ano seguinte – o mesmo em que Getúlio Vargas, enfim, “declarou guerra à Alemanha e à Itália” (22-08-1942), veio o lançamento do samba “Fez bobagem”, por Aracy de Almeida.
Mas é inegável que os sucessos se tornaram cada vez mais raros, especialmente na década de 1950, quando, após outra tentativa malsucedida de suicídio, em maio de 1954 (quando cortou os pulsos e, de novo, foi socorrido a tempo), Assis Valente pôs fim à própria vida. Isso em 22 de março de 1958, ao beber guaraná com formicida enquanto a tarde caía na Praça Luís de Camões, no bairro carioca da Glória. Tinha 46 anos e, segundo Gonçalo Jr., estava afundado em dívidas e em cocaína – vício antigo que potencializou a depressão, doença que o acometia pelo menos desde a década de 1930 e que, naquele tempo, estava longe de ser conhecida e tratada como nos dias de hoje. “Não havia terapia quando se percebia alguma consequência grave”, informa o biógrafo do sambista. “Nesse caso, era considerada um tipo de loucura.”
Sua obra, revisitada parcialmente logo após a morte de Carmen Miranda (1955), continuou no imaginário popular, mas de maneira tímida. Além de “Boas festas”, a marchinha-emblema do Natal brasileiro, volta e meia tinha alguma composição sua regravada em um novo disco. Como o samba “Tem francesa no morro”, que a veterana Araci Cortes resgatou no espetáculo “Rosa de ouro” (1965). Ou “Fez bobagem”, que Nara Leão regravou (1969) pouco antes de revisitar o samba “Minha embaixada chegou”, com Maria Bethânia e Chico Buarque, para o filme “Quando o carnaval chegar” (Cacá Diegues, 1973). Já “Camisa listada” voltou a ser ouvida nas vozes de Caetano Veloso (1973) e Maria Alcina (1977).
Mas foi com “Brasil pandeiro”, regravada pelos Novos Baianos na faixa de abertura — faixa 1 do lado A — do LP “Acabou chorare” (1972), que a obra de Assis Valente voltou de vez às paradas, 31 anos após seu lançamento. Desde então, só havia sido regravada uma vez, por Léo Vilar (1963), com arranjo semelhante ao da gravação que havia feito com os Anjos do Inferno, conjunto desfeito desde 1957. Já a regravação dos Novos Baianos era totalmente inserida na nova MPB, com um arranjo que cresce ao longo da música. “No início, só um violão sustenta o diálogo dos vocais”, escreveu Júlio Hungria em crítica publicada no Jornal do Brasil (01-11-1972). “E o número cresce, ganhando o apoio do regional, quando as vozes se multiplicam em coro.”
Gente bronzeada: os Novos Baianos em foto impressa na contracapa de seu primeiro disco, 'Acabou chorare'
Para esse crescendo, vale salientar que os Novos Baianos alteraram a estrutura original do samba, criando uma espécie de grand finale no desfecho da segunda parte: levaram a melodia do último verso (“Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros...”) para uma tessitura mais aguda que a da gravação original, e o repetiram. A letra também sofreu alterações pontuais em relação aos versos escritos por Assis Valente, com destaque para duas delas, também na segunda parte. Primeiro, cantam “há quem sambe diferente, outras terras, outra gente, num batuque de matar, quando a gravação original dizia “num barulho de matar”. E dizem também “que nós queremos sambar” e não “que está na hora de sambar”, como escreveu o autor.
E mesmo com mudanças tão significativas na composição, não é exagerado supor que “Brasil pandeiro” tem, no registro dos Novos Baianos, sua gravação referencial, a julgar pela quantidade de regravações posteriores que reproduzem esta nova estrutura. “‘Brasil pandeiro’ foi gravado bem dentro do nosso estilo”, disse Moraes Moreira, integrante dos Novos Baianos, em entrevista a Diana Aragão para o JB (27-08-1977), antes de creditar o medalhão decisivo não só para esta regravação, como também para a própria concepção do conjunto. “Aprendemos isso com João Gilberto, que nos mostrou as coisas mais parecidas com a gente, nos despertou.”
“Brasil pandeiro” ainda deu nome a um programa apresentado pela atriz Betty Faria na TV Globo (1978) antes de ser regravado pelo próprio João Gilberto (1982) sem as inovações de seus pupilos. Também parecidos com a estrutura da primeira gravação foram os registros feitos pela dupla Elza Soares e Roberto Ribeiro (1972) e por Moreno Veloso (2024).
E depois que o samba, na gravação dos Novos Baianos, foi escolhido para jingle de um comercial de TV da marca de chinelos Rider (1994), vieram regravações dos ex-integrantes do conjunto: primeiro Moraes Moreira (1995), depois Baby do Brasil (1997) e, quase 30 anos depois, Paulinho Boca de Cantor (2026). Já os Novos Baianos ainda gravaram “Brasil pandeiro” mais duas vezes: a primeira em 1997 e a segunda em 2017.
Outros conjuntos fizeram sucesso com a composição de Assis Valente, a começar pelos Demônios da Garoa, que a regravaram no ano seguinte (1973) à suingueira dos Novos Baianos. Depois foi a vez de “Brasil pandeiro” timbrar vozes como as do Sururu na Roda (2002) e do BR6 (2013). E em 2018 veio a interpretação do coletivo Sonzeira, do DJ britânico Gilles Petterson, tendo como convidados Arlindo Cruz, Emanuelle Araújo e o acordeonista Chico Chagas (2018).
O samba de Assis Valente também foi gravado no clarinete chorão e jazzista de Paulo Moura (1989), no canto regional de Rolando Boldrin (que chamou de “Esquentai vossos pandeiros” seu disco de 1998) e no telecoteco de Mart’nália, esta lançada no CD “Ao vivo em África” (2010), feito entre Angola e Moçambique. Já em Salvador “Brasil pandeiro” foi gravado pela carioca Beth Carvalho, com participação da local Ivete Sangalo (2007), e pela banda de axé music Jammil e Uma Noites (2026).
Foto principal: o rótulo do disco Columbia 55267, no qual saiu a gravação original de 'Brasil pandeiro' (Assis Valente), na interpretação dos Anjos do Inferno / Arquivo Nirez




