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#IMSdeCasa – Sucessos de Elizeth Cardoso na interpretação de Ana Costa e Luís Barcelos

Pedro Paulo Malta

O centenário de Elizeth Cardoso é motivo de alegria num ano em que muito pouco ou nada é digno de festa. Não só porque a cantora – carioca nascida em 16 de julho de 1920 – entrou para a história como uma das mais queridas do país, ainda hoje lembrada por títulos de nobreza como a Divina e a Enluarada, entre outros apelidos. Ou porque suas gravações ainda emocionam em pleno século 21, com sua voz em sambas, boleros, valsas e sambas-canção, entre outros gêneros musicais. Mas também – e principalmente – porque seu repertório tão diverso e tão rico nos lembra o tempo todo de um Brasil muito maior do que qualquer truculência, demonstração de raiva ou negação à ciência e à arte, entre outras besteiras que nos assolam neste 2020.

Para celebrar este legado, o Instituto Moreira Salles fez de Elizeth Cardoso um dos temas do projeto “IMS de Casa”, que traz para o site do IMS vídeos com a produção de artistas que, como convém em tempos de pandemia, seguem em isolamento social. A tarefa de homenagear a Divina foi entregue a dois grandes admiradores de sua arte: a cantora Ana Costa e o bandolinista Luís Barcelos, que escolheram sucessos de Elizeth para regravar especialmente como parte das comemorações por seu centenário de nascimento.

“A gente poderia dizer o quanto a Elizeth é afinadíssima. O quanto sabia modificar os tempos das frases. Ou como ela transitou com desenvoltura entre tantos ambientes, cantando com tantas instrumentações diferentes”, avalia Luís Barcelos, também compositor e arranjador. “Mas o que mais me impressiona nela é a emoção, a entrega, um sentimento que é perceptível em cada nota, em cada frase. E tudo muito natural, feito sem a pretensão de impressionar. Como aquele instrumento que muita gente toca mas que, quando vem alguém e toca de uma maneira especial, você reconhece e se emociona imediatamente. É impossível não se emocionar ouvindo a Elizeth.”

Ana Costa se lembra da primeira impressão que teve da cantora, por volta dos 12 anos, vendo televisão em casa. “Elizeth cantava ‘Doce de coco’ (Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho) e me encantei com aquilo, tanto que não me esqueço. Eu ainda nem sonhava seguir carreira artística, era só uma menina que gostava de música”, relembra a cantora, compositora e violonista. “Elizeth é um aconchego muito grande num momento como esse de agora, quando estamos isolados, pois ela me remete a palco, às boates dos anos 50, ao Cordão da Bola Preta, a essas aglomerações que fazem tanta falta. E como é bom trazê-la pros dias de hoje, falar dela, relembrar sua história, regravar seus sucessos.”

Para abrir as homenagens, trazemos a interpretação de Ana Costa e Luís Barcelos para dois grandes sucessos românticos de Elizeth Cardoso. Um deles é o samba “Feitio de oração” (Noel Rosa e Vadico), que foi lançado originalmente por Francisco Alves e Castro Barbosa (1933) e foi regravado três vezes pela Divina: em 1956, 62 e 68.

 

O outro é “Canção de amor”, composição de Elano de Paula e Chocolate que foi lançada em 1950, tornando-se o primeiro sucesso de Elizeth – clique aqui para saber mais sobre a gravação.

 

Fique atento para as próximas homenagens de Ana Costa e Luís Barcelos à centenária – e eterna – Elizeth Cardoso.