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    Cem anos do ‘Gogó de Ouro’: Jorge Goulart, o vozeirão do carnaval, da canção romântica e da militância política

    Pedro Paulo Malta

    tocar fonogramas

    Na interpretação delicada que a bossa nova consolidou na música brasileira entre o fim dos anos 1950 e o início dos 60, nem sempre se cantava baixinho, à moda de João Gilberto, Silvia Telles ou Nara Leão. Às vezes era com vozeirão mesmo, desses que desafiam os tímpanos, como numa das primeiras gravações da “Marcha da quarta-feira de cinzas”, composição de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes eternizada em 1964, no canto intimista de Nara. Desde o ano anterior, no entanto, o clássico de Lyra e Vinicius já circulava por aí com todos os decibéis e vibratos a que tinha direito.

    Seu intérprete era Jorge Goulart, colecionador de sucessos – carnavalescos e românticos – ao longo da década de 1950, quando foi eleito o “Rei do Rádio” de 1952. Pois o “Gogó de Ouro” (como era conhecido, por sua potência vocal invejável) gravou a marcha com “aquele tom dramático que chega a ser engraçado”, como avaliou Carlos Lyra, em entrevista aqui para a Discografia Brasileira, após reouvir a gravação, quase seis décadas depois do lançamento. De fato, se por um lado seu vozeirão de tenor era como uma antítese da bossa nova, por outro seu posicionamento político se alinhava perfeitamente ao de Lyra, Vinicius e Nara.

    Mais do que progressista ou “de esquerda”, Jorge Goulart era mesmo comunista, com direito a filiação partidária e participação ativa no sindicato dos profissionais de rádio. Mal sabia que, naquele 1963 em que cantava “Acabou o nosso carnaval...”, estava a um ano do golpe militar que levaria a sua demissão da Rádio Nacional e a uma temporada forçada no exterior, ao lado de sua companheira, a também cantora – e comunista – Nora Ney. “Com doze anos vi uma patrulha do DIP prendendo mestre Oiticica, um catedrático, e vem daí minha revolta contra a opressão”, contou Goulart ao jornal O Pasquim (14-11-1980), relembrando os tempos de aluno do Colégio Pedro II, “o único colégio que resistia, era de lá que partiam as greves!”

    Lembranças do tempo em que ainda atendia por Jorge Neves Bastos – nome civil do primogênito dos quatro filhos da dona-de-casa Arlete Neves e do jornalista Iberê Bastos, repórter com passagem pelas principais redações do Rio de Janeiro. Nascido há cem anos, no dia 16 de janeiro de 1926, numa família de classe média do bairro do Andaraí (Rua Araripe Júnior, nº 47), seria advogado se dependesse da vontade dos pais. Ou seja, se quisesse seguir os passos de Francisco Alves, preferido dos cantores que gostava de ouvir pelo rádio na infância, só se fosse de brincadeira. “Sou oriundo de uma família ruralista fracassada e nasci neto do Visconde de Niterói”, disse, na entrevista ao Pasquim, em referência aos antepassados de sua mãe.

    Só que o menino conheceu os seresteiros do bairro e, com eles, tomou gosto por brincar de ser Francisco Alves. Já estava adolescente quando passou a frequentar a Rádio Educadora e criar intimidade com o microfone na “Escada de Jacó”, programa de calouros que era comandado pelo Professor Zé Bacurau – pseudônimo de Lourival Maia, amigo de seu pai. Já os primeiros cachês – dez mil réis! – recebeu cantando sob a lona do Circo Democrata, que ficava na Praça da Bandeira e todos conheciam como “o circo do palhaço Dudu”. “O circo era uma saída pra classe pobre, que assim tinha chance de ver o artista por um preço baixo”, recordou, ainda ao Pasquim.

    Até que, em 1942, Iberê Bastos se engajou na campanha pelos direitos autorais e passou a levar o filho na peregrinação que fazia por estúdios, rádios e teatros cariocas. Numa dessas, toparam com Custódio Mesquita, o já então consagrado compositor que, vendo o interesse do rapazinho por música, pediu que testasse alguns sambas que ainda estavam inéditos. “Custódio precisava de um cantor que colocasse suas músicas na noite e acabei lançando no dancing Eldorado, na Praça Tiradentes, músicas como ‘Saia do meu caminho’, ‘Feitiçaria’ e ‘Promessa’”, recordou Jorge à Tribuna da Imprensa (20-06-1994).

    Foi também Custódio quem sugeriu ao jovem cantor que arrumasse um nome artístico para o lugar de Jorge Neves Bastos, que afinal parecia “nome de dono de sapataria”. Ouvindo no rádio os anúncios do Elixir de Inhame Goulart – “o purificador do sangue que depura, fortalece e engorda!” – viu futuro naquele novo sobrenome e foi ao Café Nice submeter à aprovação de Orestes Barbosa, que deu fé: “Jorge Goulart? É um nome sugestivo e comercial.”

    A Noite, 14-10-1940

    Já atendia pelo novo nome quando, em 1943, cruzou seu caminho com o de Ary Barroso, em cujo programa fez bonito cantando o samba “Xangô” (de Ary com Fernando Lobo), naquele que considerava o marco zero de sua carreira no rádio. “Ele me chamou para cantar acompanhando-o no piano, para os intervalos de umas peças que ele mesmo bolou. Eram músicas inéditas”, contou Goulart em entrevista a Tizuka Yamazaki para O Jornal (11-04-1973). “Foi ele também que me lançou na Tupi, na época, a rádio mais ouvida”, recordou, alinhando Ary – de quem lançaria sambas como “Maria das Dores” – com seu outro padrinho artístico, Custódio Mesquita.

    Pois foi também graças a Custódio que Goulart fez seus primeiros testes na Victor, onde aconteceu sua estreia fonográfica, na condição de aposta da gravadora. “A Victor, pra sair do esquema, resolveu contratar novos cantores: Isaurinha Garcia, Nelson Gonçalves e eu”, disse, na entrevista para O Jornal. “A gente tinha que vender mil discos para fazer o segundo.” E assim foi: o 78 rpm Victor 80-0267, puxado pelo samba “Paciência, coração” (Aldo Cabral e Benedito Lacerda), saiu em abril de 1945 e vendeu 1.200 exemplares, abrindo caminho para o segundo, lançado em setembro trazendo no lado A o samba “Nem tudo é possível”, também de Cabral e Lacerda.

    Mesmo assim, não eram exatamente doces as lembranças que Jorge Goulart guardava da primeira vez num estúdio, em 8 de fevereiro de 1945. “No meu primeiro disco me imaginei o Robespierre na guilhotina. O operador era o carrasco. Você gravando, ia saindo aquela cera, o cara pegava com uma pazinha e jogava pro lado”, descreveu, na entrevista para O Pasquim (14-11-1980). “Quando acabavam, você ficava 30 dias sem dormir, porque depois de 30 dias vinha um troço chamado ‘a prova’. Diziam: ‘Você já ouviu sua prova? Tá lá na Victor.’”

    Com as vendagens do segundo 78 rpm aquém do esperado, a Victor não renovou o contrato e Jorge Goulart deu um tempo nos discos. E sua carreira prosseguiu, mas no teatro de revista: o vozeirão de Goulart pôde ser ouvido em espetáculos das companhias de Chianca de Garcia – como “Um milhão de mulheres” e “O rei do samba” (ambos em 1947) – e Walter Pinto (“O trem da Central”, 1948). Logo voltou aos discos, primeiro na Star e depois na gravadora mais duradoura e marcante em sua discografia: a Continental, onde fez 64 discos de 78 rpm entre 1950 e 1962.

    Entre os lançamentos no primeiro ano na nova casa, destacam-se suas participações nas gravações originais dos hinos populares que Lamartine Babo compôs para os clubes de futebol do Rio de Janeiro. Goulart, infelizmente, não gravou o de seu querido Vasco, mas teve a honra de ser o primeiro a interpretar a “Marcha do América”, preferida do compositor, torcedor fanático do clube alvirrubro. Outra de 1950 que teve boa repercussão foi “Ai, Gegê” (João de Barro e José Maria de Abreu), a marchinha que saiu em março daquele ano cantando as saudades de Getúlio Vargas, o ex-presidente da República (até 1945) que voltaria ao comando do país – enfim, eleito – no fim daquele ano.

    Até que apareceu outro padrinho em seu caminho: Antônio Nássara, mestre do desenho e dos sucessos de carnaval – além de ex-colega de redação de seu pai. “Ele fazia uma questão incrível que eu fizesse sucesso. Em 49, numa época em que todo mundo falava no brotinho, ele compôs ‘Balzaquiana’”, relembrou na entrevista para O Pasquim. “Wilson (Batista) musicou a letra e o Nássara disse: ‘Essa música tem que ser gravada pelo Jorge Goulart, um garoto novo, que tá lutando.’” Goulart recorda que João de Barro, diretor artístico da Continental, preferia que a marcha fosse gravada por “gente de nome”, mas “Nássara era o rei dos concursos e sua opinião era respeitada”.

    E estava certo. Tanto que, nos anos seguintes, coube a Jorge Goulart lançar as principais apostas da dupla Nássara-Wilson Batista para o carnaval. Primeiro, a marchinha “Sereia de Copacabana”, sucesso do carnaval de 1951 que nosso cantor levou também ao cinema, como um dos números da chanchada “Aviso aos navegantes”, comédia musical de Watson Macedo. Já em 1952 veio “Mundo de zinco”, o samba verde-e-rosa que venceu o concurso de músicas carnavalescas da Prefeitura do Rio e Goulart cantou também no filme “Tudo azul”, de Moacyr Fenelon.

    De terno na praia: Jorge Goulart em 'Aviso aos Navegantes' / Reprodução do YouTube / Canal do Rádio

    Ainda no filão carnavalesco, a década de 1950 rendeu outras boas gravações de Jorge Goulart, como “Mexe, mulher” (1951), samba menos conhecido de Geraldo Pereira, e “Pepita de Guadalajara” (1953), marchinha do onipresente João de Barro e seu fiel parceiro Alberto Ribeiro. Ainda menos lembrada é “Não faz marola” (1957), a composição de Antônio Almeida “que o apresentador Chacrinha usou para extrair o seu ‘Olê, olá, o Chacrinha tá botando pra quebrar’”, como lembrou O Jornal (23-09-1972), na mesma matéria em que define Goulart como um “autêntico campeão de carnavais”.

    Mas nenhuma marchinha de seu repertório foi — e ainda é — mais cantada do que “Cabeleira do Zezé”, a charge musicada que João Roberto Kelly fez com Roberto Faissal pra folia de 1964. Assim como nenhum samba permaneceu no imaginário do país como “A voz do morro” (1955), composição que Zé Kéti apresentou pela primeira vez num ensaio da pequena escola União de Vaz Lobo e Jorge Goulart gravou com acompanhamento de Vero (pseudônimo de Radamés Gnattali) e Sua Orquestra. Outros sambas de Zé foram lançados em discos de 78 rpm de Goulart, como “A flor do lodo”, “Não sou feliz” (com Nelson Cavaquinho) e “O samba não morreu” (com Urgel de Castro).

    A exemplo de “A voz do morro”, que ganhou os cinemas como tema do filme “Rio, 40 graus”, de Nelson Pereira dos Santos (1955), “O samba não morreu” foi ouvido em outro clássico do mesmo diretor, “Rio Zona Norte” (1957). Outra música de cinema que foi parar no vozeirão de Goulart foi o “Samba fantástico”, feito para o curta de mesmo nome dirigido por Jean Manzon, que assina a composição com Paulo Mendes Campos (roteirista do filme), Leonidas Autuori e José Toledo. Já o longa hollywoodiano “Sansão e Dalila” veio parar no repertório do Gogó de Ouro em 1952, através de uma marchinha homônima de João de Barro e Antônio Almeida.

    Sem contar as versões brasileiras de temas que chegaram por aqui com filmes dos Estados Unidos e Jorge Goulart lançou em seus discos. Como “T’was Brillig”, a composição feita por Gene de Paul e Don Raye para o filme “Alice no País das Maravilhas” e João de Barro e Vinicius de Moraes transformaram na “Canção do gato”. O versátil João de Barro também se encarregou de criar os versos em português para músicas que Charles Chaplin compôs para seus filmes, como “Sorri” (“Smile”, de “Tempos modernos”), e “Luzes da ribalta” (do filme de mesmo nome ou, no original, “Limelight”).

    Em entrevista à repórter Mara Caballero, Jorge Goulart contou que as versões em série vieram após o sucesso dos 78 rpm lançados com canções do cinema estadunidense. “Cada disco vendido aqui resultava em saída de dinheiro para o exterior”, contou o cantor, como se leu no Jornal do Brasil de 25-03-1978. “Foi quando fizemos um cerco, para o dinheiro não sair tanto: nos antecipávamos, gravando logo as versões”, revelou o intérprete brasileiro de “Dominó” (Jacques Plante, com letra de Paulo Tapajós) e “Jezebel” (Wayne Shanklin e Caribé da Rocha). O disco desta segunda canção, segundo Goulart, já havia vendido 300 mil cópias quando chegou por aqui a gravação original, na voz de Frankie Lane. “Ele praticamente não vendeu nada.”

    Com Nora Ney, o 'casal mais querido do rádio' / Reprodução da internet 

    O lançamento das duas canções por aqui se deu no mesmo ano – 1952 – de outro marco importante na trajetória de Jorge Goulart: o início de sua relação com a cantora Nora Ney, com quem viveu por 51 anos, até a morte dela (2003). Quando se conheceram, no ano anterior, nos camarins do Copacabana Palace, onde se apresentavam, ela vivia os últimos dias de seu casamento conturbado com um marido agressivo e ciumento, encontrando apoio no novo amigo. “O click só aconteceu quando meu desquite acalmou”, revelou Nora à repórter Ângela Regina Cunha, do JB (20-03-1992). “Eu estava lavando o rosto no camarim quando ele entrou. Disse pra mim mesma: até que esse cara não é feio.”

    Apesar de todos os contrastes – “Ela é magra, nervosa, agitada, voz pequena. Ele é corpulento, bonachão, calmo, voz forte” (JB, 20-03-1992) – Jorge e Nora formaram um dos casais mais duradouros e queridos do meio artístico. Apesar do repertório eclético, como o dele, foi no samba-canção que ela se encontrou, com seu canto contido e sua maneira de dizer os versos que cantava, como definiu o companheiro, na mesma matéria do JB: “A força da Nora é interior. Eu sou o contrário, já entro na pole position”, comparou o intérprete de “Laura” (João de Barro e Alcir Pires Vermelho), a valsa com jeitão cinematográfico que gravou em 1957, com todos os vibratos e portamentos que a bossa nova, já a partir do ano seguinte, relegaria à gaveta do passado.

    Mesmo assim, a agenda de shows seguiu cheia para Jorge Goulart e Nora Ney pelo Brasil e, depois, também em outros países. “A partir de 1958, as viagens passaram a ser também para o exterior, incluindo o os países do Leste europeu, com os quais o governo de Juscelino Kubitschek pretendia reatar relações diplomáticas”, disse o cantor ao JB (25-03-1978). “Fomos os pioneiros a ir à China, à União Soviética. Para que o Brasil apanhasse dinheiro para fazer Brasília”, disse à Tribuna da Imprensa (08-02-2000), em matéria assinada por Rodrigo Faour.

    Com o golpe militar de 1964, as apresentações no exterior se intensificaram depois que Jorge e Nora foram demitidos da Rádio Nacional, ao serem incluídos na lista de “subversivos” delatados por alguns companheiros de trabalho. “A intenção de algumas pessoas, tipo César de Alencar, era reduzir o elenco de contratados e tomar o poder da emissora”, afirmou, em outra entrevista à Tribuna da Imprensa (20-06-1994), sem omitir seu posicionamento político. “Eu não era apenas um comunista daqueles que sentavam em Copacabana, com uísque na mão, e não faziam nada. Nem eu, nem a Nora. Éramos ativos no partido, pertencíamos ao sindicato.”

    Nas temporadas internacionais, Jorge Goulart assumiu a direção dos shows, incrementados com participações especiais como a do clarinetista/saxofonista Paulo Moura e de integrantes do Império Serrano, escola em que desfilou como puxador nos carnavais de 1965, 67 e 68. Das memórias que trouxe do exterior, destacam-se os sete meses em Israel – “Fizemos apresentações nos kibutz e nas bases militares ocupadas” (O Jornal, 11-04-1973) – e um show para 50 mil pessoas no Palácio do Povo, em Beijing: “Quando a cuíca entrou, foi uma apoteose”, lembrou ao JB (25-03-1978). “Íamos ficar seis dias, ficamos um mês.”

    No retorno definitivo ao Brasil (1973), os shows se dividiram com outra atividade que Jorge trouxe para seu currículo: atuou como administrador de casas de shows como o Feitiço da Vila, em Belo Horizonte (onde viveu com Nora Ney num primeiro momento da volta ao país), e depois o Cassino Samba Show, em Madureira. Seguiu puxando samba nos desfiles de carnaval – como o da Imperatriz Leopoldinense em 1975 e o da Unidos de Vila Isabel em 1977 – e gravando discos, em geral retrospectivos, como “Os melhores sambas-enredo” (Som Livre, 1974), “Jubileu de prata”, com Nora Ney (Som Livre, 1977) e “Oh! As marchinhas”, com Emilinha Borba (Continental, 1981).

    Quando se casou oficialmente com Nora Ney (1992), numa igreja presbiteriana em Copacabana, depois de 40 anos vivendo juntos, a imprensa destacou a parceria do casal, mesmo com todas as diferenças. Numa matéria sobre o casório, disse ao JB (20-03-1992) que um dos segredos para a relação longeva era dormir em quartos separados: “Nada de acordar do lado, com papelotes na cabeça e mau hálito”, disse, bem-humorado. Nessa época, Goulart já vivia há quase uma década sem as cordas vocais, extirpadas em 1983, quando foi diagnosticado com câncer na garganta.

    Jorge Goulart em 2009 / Reprodução do YouTube / Canal Rodrigo Faour Oficial

    Passou a falar por um aparelho ligado à laringe, mas cantar nunca mais. “Quando era famoso, tinha pavor da decadência artística”, confidenciou ao repórter Antônio Abreu, da Tribuna da Imprensa (20-06-1994). “Não sabia como ia me afastar dos palcos quando a hora chegasse. O ocorrido pode ter sido a minha saída”, aventou o veterano tenor, que ainda se apresentou algumas vezes, fazendo uso de playback para defender os sucessos eternos que lançou, como “A voz do morro”, “Cabeleira do Zezé” e “Mundo de zinco”.

    Quando faleceu, aos 86 anos, de insuficiência respiratória (17-03-2012), Jorge Goulart morava no mesmo Andaraí (Rua Araripe Júnior, 47) do início da história. Estava casado com Antônia Lúcia, com quem se uniu após a morte de Nora Ney (2003). Descontente com os novos caminhos da música brasileira (“Sinto pena do país”, disse, na mesma entrevista à Tribuna da Imprensa), já não tinha paciência para as novidades do rádio e da TV (“Prefiro ouvir os clássicos de Mozart e Chopin”). Em sua coluna na Folha de S. Paulo (04-04-2012), Ruy Castro lamentou a partida deste “tenor para longas distâncias” que “foi, em todos os sentidos, uma grande voz da música brasileira: cheia, robusta, sonora”.

    Na imagem principal: Jorge Goulart no Acervo José Ramos Tinhorão / IMS

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